segunda-feira, 9 de maio de 2011

Absurdo

     



      A primeira imagem tua que admirei, me senti humilhado. Qualquer fragmento de sua presença, fosse um contorno ou qualquer tom, inspirava uma miscelânea de sensações. Havia sossego na expressão de teu rosto, capricho nos teus olhos e em teu olhar desdém, altivo, mas preguiçoso no riso de teus lábios.
      Se tudo parecia um joguete infantil, de bem-me-quer mal-me-quer, eu sei que vi, não a angústia, mas os mimos do criador, que acarinhava suas formas sonolentas. Algumas, então, adormeciam; outras logo acordavam.
      Eu primeiro vi a existência do que só mais tarde uma teoria pôde confirmar.
"A aura é esta lembrança que, ternamente e quase acariciadora, roça os contornos da obra e, ao articulá-la, também a suaviza."
      Eu experimentei o absurdo, e ainda não conhecia que conceito se dava a algo assim, e o teu nome é Ana.
              Autor: Um amigo muito especial

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