domingo, 10 de abril de 2011

A transformação



A estrada estava escura, as árvores bloqueavam os caminhos, estava confusa e perdida, ouvia passos pesados atrás de mim, não importava o quanto eu corria, ele estava sempre um passo atrás de mim, não tinha coragem de olhar para trás, apenas estava tentando sobreviver aquela criatura cruel e medonha.
Já estava cansada, faltava-me o fôlego, mas preferia morrer do que ficar presa nas garras dele,
a Lua estava grande e bela, me encarava estranhamente, o céu estrelado e infinito dava a sensação de que estava entrando em um beco sem saida, e era exatamente o que acontecia, tropeço na raiz de uma grande árvore, faço um corte em minha mão ao cair, podia ouvir os passos se aproximando numa distância perigosa, tentei correr novamente, mas não havia mais tempo, ele me segurou pelos braços e me fez olhar para ele.
Estava claro em seus olhos a maldade que em seu coração reinava, se é que ele tinha um coração, diante de tanta beleza e perfeição, dominava o grande prazer do medo, a felicidade evidente no rosto dele, por ter uma presa a quem pode brincar.
O medo dominou meu corpo que em uma tentativa de fuga, mordi a mão dele, que me soltou imediatamente, voltei a correr, sentia o pulsar de meu coração acelerado, tudo começou a girar rápido demais, já não tinha mais forças para continuar, paro e apoio-me na árvore mais próxima, sinto ele se aproximando lentamente.
-Não adianta correr, eu te acharei em qualquer lugar.
-Me deixe em paz.
Imploro, como se ele fosse me deixar ir, mas ele se aproxima mais de mim colocando as mãos frias e fortes sobre meu pescoço e o beija lentamente, com a outra mão tira uma adaga do sobretudo e a coloca perto do meu rosto.
-Seu sangue tem um ótimo cheiro.
Não conseguia tirar as mãos dele de mim, chorando tento de todas as formas me soltar, só que já estava fraca, o vento batia em meu rosto, a floresta estava fria e silênciosa, apenas desejei que ele me matasse logo.
Mas ele não queria me matar, ele queria me tornar uma deles, ele solta meu pescoço e me envolve em um abraço encantador e perigoso, com um sorriso maligno no rosto ele morde meu pescoço, a dor foi insuportável, gritei, mas ele não deu ouvido, puxou meu corpo para o dele, sugando meu sangue quente, parecia saborear cada gota, senti meu corpo pesado, senti o toque dele em meu corpo que esfriava, minha visão ficou escura, desmaiei sobre os braços dele.

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